e mais uma

20 abril, 2005

Hoje não é um dia melhor mas deixo aqui uma coisa já antiga (nem um ano tem! mas em escrita o que se acabou de escrever já é antigo... é a velocidade da coisa...).

Como eu havia dito eu tenho isto é para falar comigo própria, se vier aí alguém visitar este bazar poeirento melhor... (caso venha mesmo cá alguém por favor diga qualquer pa eu ficar feliz que alguém visitou isto... é como a campainha automática quando alguém entra na loja, que só existe naquelas lojas em que não aparece ninguém... só que como eu não tenho campaínha agradeço que toquem à campaínha ao deixar um comentário, por favor e obrigado).


Lembrei-me deste poema que escrevi na escola secundária quando era pequena e infeliz. Este foi uma construção de frases (e não um poema) que escrevi inaugurando uma "fase" da minha escrita poética a que intitulei pretenciosamente de "Poesia Manifesto". Todas as semanas a partir desta colocarei mais um poema, ou poema-grito da Poesia-Manifesto, ao longo das semanas vou explicar porque e com que objectivo inevntei a coisa, porque penso nela como uma forma de escrever, de me dirigir literariamente; mas basicamente percebe-se logo que é uma escrita propositadamente pretenciosa, e cujo objectivo é pretencioso também, exactamente para criticar o pretenciosismo (também o literário) mas todo o pretenciosismo que cresce como heras na nossa sociedade portuguesa capitalista, que ainda ontem era uma menina e hoje já usa saltos. (Somos pretenciosos porque achamos que só assim vamos "vencer" e só assim atingiremos a nossa migalha de fama (os 15 minutos). Somos tão atrasadinhos que isto já aconteceu desta forma quase há 20 anos do outro lado do oceano... mas somos uma sociedade pequenina e inocente, com a mania de ser precoce, como uma menina que quer vestir roupa de senhora.)



A poesia-Manifesto é
um acto poético novo [é meu]
Inauguro-o sob o título
pretensioso de poesia-Manisfesto,
pois o seu objectivo poético
é criticar, ordenar, gritar
leis, regras, elementos egoístas
dos que pensam que pensam.

A imperfeição (propositada ou natural)
é perfeição, harmonia e equilíbrio
é surpresa por ser a imperfeição humana,
do orgânico

A tensão e o asfixiante
é belo
porque é
constante, angustiante
e sofredor
uma dor de curiosidade e prazer.
Isso é belo.

(Não esqueças a
intelectualização da poesia.
Mas esquece.)

Retirei tudo isto de um grande livro imaginário,
de um poeta de outros tempos.


Sem comentários:

Enviar um comentário