devendra banhart dá paz

31 maio, 2005

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hoje não dou poemas, dou paz,
quero infiltar-me de poesia sem letras
e escrever sem linhas, sem desenho,
sem mão e sem caracter.
hoje não dou poesia,
peço espaço em branco,
só para divagar devagarinho pelo espaço virgem.
hoje estou por dentro como por fora,
assim mais incompleta de pedaços de nada.
hoje não dou mas peço.
hoje grito baixinho e quero voz de pássaro,
hoje estou como vento por dentro e água por fora,
sem asas visíveis e uma auréola velha.
hoje não quero poesia,
mas dou-a em forma de alívio como sempre
hoje estou com sol na pele e por dentro cheiro a maresia

já não peço paz, só os pássaros e cordas de som.



escrito em frente à máquina que desumaniza, eu escrevo poesia ao computador
escrito num dia em que rimo sem rimar porque penso ritmadamente
escrito hoje que é o dia em que não dou poesia, mas dou sugestões de paz
antony and the jonhsons é perfeito e divinal
devendra banhart dá paz, paz em forma de música

a sufragista com paz

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