do orgânico

05 maio, 2005

Image hosted by Photobucket.com

Aqui figura o último poema-manifesto, sobre existência e sobre a vida, física e orgânica.
As questões do nascimento, do florescer, do morrer, comparado às plantas e aos bichos pequenos. Um poema como que escrito com as mãos de baixo da terra e os olhos fechados a sentir o orvalho frio na pele. É um poema essencialmente sensitivo, relacionado com os sentidos que não intelectualizamos completamente, os sentidos-instinto: o tacto, o olfacto e o paladar. O sentir fisicamente, sentindo a terra na pele, o cheiro da terra, como símbolo da vida e da morte. E o enaltecer da Natureza como Mãe da vida, e acolhedora e transformadora da morte em vida. A reciclagem do orgânco em nascimento. A reflexão sobre o ciclo da existência.

I
Vamos esculpir as árvores,
arranjar os ramos,
recortar as folhas…“delicar” o canto dos pássaros e
morder raízes, alimentando-nos das resinas
e dos líquens.
Vamos pintar de musgo
Tudo o que é vivo,
Ressuscitar o que morreu debaixo da terra
Para reescrever a nossa estória orgânica.
E ver mundos de verdes alimentícios,
Estradas terrosas, vidas rochosas.
Vamo-nos tornar pedras, daquelas dos caminhos
E crescer como as plantas.

Vamos chamar o Homem e contar-lhe
o nosso segredo.


II

Vamos escrever nas pétalas evestir os lagos no nosso corpo sujo
Vamos salvar a seiva das plantas raras,
Dando-as às plantas comuns,pequenas e selvagens dos caminhos.
Vamos pintar de verde e de terra, cobrir de pólen
o que é vivo e o que o será,
Fecundar vida no que é virgem, no que
pede água e sobrevivência.
Vamos dar-nos ao orvalho da manhã,
Juntando gotas preciosas nas pétalas do mundo vivo,
Fazer crescer o que morreu, renascendo
por vontade de um novo sopro.
Vamos encantar o que perdemos com a magia orgânica
dos que rastejam e voam,
Recortar asas naquilo que jaz e construir
caules de vida na precária existência.


a sufragista, mais incompleta que nunca

Sem comentários:

Enviar um comentário