mãe

01 maio, 2005

no livro mais feminino (e belo) do poeta valter hugo mãe este dedica o livro
"à minha mãe, o conceito mais absoluto".
é-o sempre, mesmo que o esqueçamos, porque é a pura existência reproduzida, e ela vem sempre do útero. nos tempos idos da medieval era, os homens sábios da igreja cristã defendiam que todos nós e todos os seres futuros nascemos e nasceríamos do útero de Eva, um útero gigante que continha todos os seres humanos nascidos e por nascer, como por vontade de um deus... a eva divina era não mais não menos que uma personagem feminina, digna de deus para carregar no seu interior toda a criação divina, ou seja, que deus não haveria nunca de nos ter no seu útero porque apenas o espaço feminino o permite.

assim, temos um deus grande sem útero que inventa uma única mulher para reproduzir a humanidade.
esta eva um dia revoltar-se-há e falará a deus, por todas as mulheres da história. eu vou escrevê-la.


[elas] "têm uma balança no peito onde os homens pesam a boca" 
v.h.m. in "a cobrição das filhas"


e porque a condição de mulher é a condição de geradora de vida, por isso de mãe, e por isso éramos vénus no início da história que não era dos homens, e somos agora o género secundário porque o poder maior alguma vez existente na terra é o de gerar vida dentro do corpo; foi o poder do útero que deixou as mulheres na esquina da história para perseguirmos os homens história fora como quem esgravata direitos e vidas podres. vai haver o tempo da redenção dos homens pelo roubo antigo do poder que era feminino e vai haver paz entre os géneros porque estes vão desaparecer e vão ficar só os sexos. o feminino e o masculino, completamente brancos um do outro, quase indistintos. e nessa altura eva vai falar a deus em todas as línguas do mundo.

por tudo isto, hoje é o dia da mulher e o dia de eva, porque todas as mulheres são evas de deus.
a sufragista sempre com o sufrágio feminino na boca

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