15 livros

10 junho, 2005

hoje comprei 15 livros, 12 de poesia, 1 peça de teatro e 2 de imagem.
hoje comprei livros com uma fome imensa de comprar livros bons, dos melhores.
hoje vi o poeta com a esperança de ver o poeta. hoje aconteceram coisas que sentia premeditadamente. hoje consumi livros como coisas de usar. hoje senti-me orgulhosa de comprar livros compulsivamente. estupidamente, um consumismo cultural é também consumismo. mas é como se fosse maior só por comprar aqueles livros e não outros. são 15 livros para crescer e aprender a escrever como gente grande. são 15 livros pequenos mas enormes por dentro, escrever como grandes escrevem. eu e a paranóia da escrita. mas é o meu único talento! a única coisa que eu sempre fiz realmente bem (e escrevia tão mal, menina pequena e ingénua, e todos diziam que era tão bem...). e hoje escrevo influenciada por cada um que leio, tão transparentemente influenciada que tenho medo de não crescer e não conseguir escrever. porque eu quero escrever poesia, ficção e uma peça de tetro. porque eu tenho ambição a mais que é só sonho e uma frustração imensa de sonhar tanto.
eu não leio muito, mas devoro livros de poesia e demoro meses a ler romances. eu sou preguiçosa e abandono tantos livros, que leio tantos ao mesmo tempo.
isto são só dasabafos tristes e coisas feias de se dizer, mas tinham que ser escritas aqui. os blogues são todos feitos de curas pessoais...uma psicanálise interior ou então são coisas para preencher vazios nas vidas dos virtuais.
somos menos vazios quando pomos aqui as coisas que pensamos. despejamos mas ficamos mais cheios por dentro... quando escrevemos.

noutro dia, um dia dourado de sol, estive na penitência da poesia.
o último livro que li do vhm, enquanto espero pelo próximo...
e depois de ler em penitência, como um acto religioso, escrevi assim.

(depois do livro “3 minutos antes da maré encher”
depois de ler 3 vezes)

E 3 minutos antes e depois da
refeição da alma faço a cópia
como regra. Sou monge e sou
copista, para nunca esquecer
como se escreve, aprendo a
regra todo o santo dia a
rezar mais uma ladainha
de letras. Como iluminura
dourada, faço figas para
não me enganar, nem
borratar a pintura das
letras doutrém.

o céu está mais azul e
despeja luz brilhante
sobre as copas das àrvores.
folhas iluminadas como
santificadas, o burburinho
do vento como purpurina a
maquilhá-las. O fim do dia
brilhante e sonoro como
pássaro calado. Céu e
vento um só. Dia. Não
espero pela noite.

a sufragista mais vazia que nunca
apenas preces e coisas fúteis

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