do fim do sonho

03 fevereiro, 2006

A alma doce dos sonhadores
inchando como peixe-balão
na onda do sonho, cama de dossel,
quente como berço ou lençóis de
amantes recentes.

Luxúria no fundo da alma,
gorda de tanta utupia, matando
os monstros da realidade e
devorando ficções como bicho faminto:
predador dos olhos fechados.
Sonhar acordado é o ópio da alma gigante.

Bolhas de som e infecção do ar
com gemidos minúsculos, toque
e pele, sonho na concha feminina,
na juventude e no pecado maior.

Pensamentos gigantes e o amor
profundo: bicho do fundo do mar,
pele de peixe em sensualidade
humana. Sonho a mais e apenas
luz imensa para refletir o humanesco
em mim: masturbação da alma ou
desejo intenso de ser mais sonho
que espelho, e mais sono que vida.

Bela e adormecida para o dia,
enquanto a noite te beija as penas,
coisas de pássaro perdidas no canto
do corpo, entre as pernas e o coração.
E só chorar mais sonho derramado
pelo dia, preguiça matinal e querer fugir.

Abandonar a alucinação diária para
pesquisar outra nova nas entranhas
finas da alma; e ser mulher de Klimt ou
Schmidt, bela e torturante. Prazer só dela.


a sufragista,
no fim do sonho

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