jóias

05 junho, 2008

Disseste-me:
— Este é o meu coração gigante. Vê como brilha. É um rubi cintilante, orgânico e pulsante. É tão belo!
Eu defendi-me:
— E este é o meu pássaro de estimação. Guardei-lhe as asas numa caixa de marfim. Eram pequenas e penso usá-las um dia, como adorno. São jóias de voo mortas.
Não me perguntaste mais nada. Ambos sabíamos que o brilho dessas jóias era suficiente para nos cegar aos dois, por instantes, só pela vaidade de admirar coisas impossíveis. Fechaste-me os olhos e roubaste-me a luz, duma dor assim branca e densa de claridade. Fulminou-te por dentro e fez-te de uma luz santa a espalhar sombras por todo o lado. Vestias de branco.

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