saudade

19 fevereiro, 2011

Indians at dedication (LOC)

hoje viajava um índio no comboio.
tinha duas longas tranças negras e uma grande pena pendurada numa mecha de cabelo. transportava consigo duas telas embrulhadas em plástico de bolinhas e falava com uma rapariga sentada ao seu lado. 
o revisor do comboio parece um boliviano, tem cabelos negros longos e encaracolados e pele muito morena. pareceu-me assim, todo um continente representado numa carruagem. 
desejosa de ver uma sociedade verdadeiramente cosmopolita, reparo minuciosamente nas pessoas, ao mais pequeno sinal de riqueza ética na nossa paisagem humana. não suporto um mar de gente igual e adoro re-encontrar caras familiares, pessoas que não via há algum tempo nos transportes públicos, nos espaços públicos que me dão a sensação de uma país minúsculo, uma pequena aldeia (pouco) global, mas infinita no seu potencial de diversidade. 
está-nos no sangue, esta coisa da diversidade, mais não seja pela nossa identidade profusa, confusa, e marcada por uma luta constante contra a identificação de nós mesmos. os portugueses não se procuram a si mesmos porque sempre buscaram o mundo inteiro dentro deles, e por isso, tiveram que partir. a urgência de partir é tão grande como a de ficar e por isso vive um marinheiro saudoso em cada um de nós, "longing for what we've left behind, and dreaming ahead".

novembro 2010

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