da moral

16 abril, 2011

tenho zero safadeza
faço a cama, ponho a mesa 
pra jantar.
nunca fui de ponta e mola, 
nunca me baldei à escola 
pra passear.
sou um puto diferente
até já li o Gil Vicente 
sem nunca me queixar.
tomo conta das irmãs
e pelas manhãs
sou o primeiro a acordar.

aprendi da maneira complicada
a moral aprimorada do papá,
sei que não posso roubar,
nem a dormi, nem a sonhar,
com as alegreias que aqui não há.
vou tentanto, com a idade,
entender a propriedade
e porquê que há malta má.
mas se por cada coisa boa
vou ficar melhor pessoa
porque não ser mau pra já?

às vezes dou por mim com cada mariquice
que a família põe-se logo a abusar.
levar com a sexta mordidela
e ser bonzinho pra cadela
já me está a chatear.
ver a infância passar
com este medo de errar,
'olha o exemplo', 'olha as irmãs',
vem a avó e vem a tia,
todas pregam todo o dia, 
não pedi por mais mamãs.

porquê que o bom é melhor que o mau,
porquê que o mal é pior que o bem,
porquê que é certo ser cara de pau 
mas está mal ser filho da mãe?

b fachada, "questões de moral"





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