do comércio tradicional

22 maio, 2011

a minhota

Pretende-se investigar o potencial simbólico do antigo comércio tradicional da cidade numa perspetiva de redesenho urbano pela memória coletiva. Resgatar a memória do usos e costumes, da utilização dos artefactos, da organização e desenho do espaço e dos produtos e da lógica de relação do comércio com a vida da cidade é algo que se propõe valorizar o centro urbano da cidade do Porto.

Pretende-se resgatar a memória mas também reinventá-la de forma contemporânea, e, dessa forma, elogiar a "memória do quotidiano" que se perdeu, e, hoje em dia, está visivelmente em vias de extinção. A cada loja que fecha, a cada fachada que se destrói, a cada letreiro que se remove, a cidade antiga perde coisas que nunca voltará a ter. A arquologia do quotidiano, impõe-se, hoje, como uma estratégia poderosa contra o esquecimento, contra a indiferença e a favor da valorização do território pela memória. O entendimento de que ignoramos (conscientemente) como se viviam há 50 e há 100 anos é visivel no abandono e menosprezo a que votamos os centros urbanos, despovoados e perdidos. 

O elogio de projectos comerciais de recuperação e redesenho da memória física e simbólica da cidade é um dos objectivos deste projecto que analisa uma série de espaços comerciais únicos, ricos em potencial simbólico e fortemente alicerçados no passado de uma cidade quer pelo recurso a objetos, símbolos, imagens ou espaços antigos repensados contemporaneamente.

É intuito perceber também o papel essencial do design no processo de potenciar a memória como valor simbólico, mas também como argumento da identidade atual da cidade do Porto, que, longe de cristalizar os seus símbolos tradicionais, deve reinventá-los num redesenho contemporâneo da tradição.

Sem comentários:

Enviar um comentário