nas lojas

03 junho, 2011

Infelizmente, enquanto noutros países tais tabuletas — (...) de madeira e metal — são religiosamente conservadas e em muitos centros históricos têm ressurgido, entre nós, certo modernismo culturalmente troglodita tem-nas espatifado. Parece que plástico de cores berrantes é que é bom, ainda que desfeie ruas antigas e agrida a identidade do burgo. Claro que, além do mau gosto de quem substitui velhas e belas tabuletas por mamarrachos, a culpa é de quem deixa agredir os nossos olhos e corromper o espírito dos lugares.Vale a pena chamar a atenção dos comerciantes para o encanto de tais símbolos (e, até, incentivá-los para os manterem). (...) Mas será assim tão difícil de entender que o carácter e o aspecto dos interiores e exteriores de muitas lojas constituem, sem sombra para dúvidas, dos melhores exemplos de arte, cultura e património digno do carácter da cidade? Será difícil de entender que a destruição dos símbolos e frontarias de muitos estabelecimentos é afronta à imagem urbana do burgo? Quem acode às lojas antigas e às suas tabuletas?
Helder Pacheco (1997). Porto: Sítios, Lembranças, Emoções. Porto: Afrontamento.

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