ladaínha do poder I

06 março, 2012


Todo o português está convencido que é um tanso, e que paga tudo e que os outros não pagam. Que é o único a pagar, que vivem todos dos impostos que ele paga. São tudo esquemas, não sei quê… E toda a gente tem esquemas, e toda a gente está cheia de dinheiro porque não paga dinheiro nenhum, exceto aquela pessoa única que é a pessoa que financia todo o país (…) A desconfiança faz parte. Quando tu pensas à portuguesa que é: um indivíduo, e depois o coletivo, que é os portugueses, pensas assim de uma maneira tão básica e tão… estúpida. Se pensas assim, então a desconfiança é a mesma coisa que é: “eu é que sou parvo”. É sempre: “eu é que sou parvo”, quer dizer, “eu é que sou inteligente, eu tenho boas ideias”, mas “eu é que sou parvo, eles é que sabem”. Eles é que sabem, os outros é que sabem. “Os outros é que a levam boa”. E se falares com essa pessoa e disseres assim: 
- Epá, a minha vida também não é um mar de rosas, vê lá tu o que este mês paguei…
- Pois, somos nós os dois! Os outros é que... 
Miguel Esteves Cardoso

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