Jim

10 fevereiro, 2013

Fotografia de Luís Belo

Quando éramos adolescentes o "Jim" era o nosso herói imortal. Era também um sex symbol, poeta, cantor, performer e lenda. Líamos todos os poemas em bibliotecas nos livros editados pela Assírio & Alvim e ouvíamos cassetes infinitas de todos os álbuns que haviam.

Chorámos no 3 de Julho e sonhamos com Père Lachaise em verões quentes parisienses. O "Jim" e os Doors faziam-nos imaginar coisas do deserto e do Oeste, da liberdade e de ser adulto sendo jovem. 
The west is the best. Get here and we'll do the rest.

Ver a peça do Paulo Ribeiro foi uma viajem à adolescência, quase como uma retro-viagem, porque a minha adolescência não foi daquela época. Uma viagem sobre a viagem, de tanto tempo passado (e gerações) e das coisas tão eternas. Baseado no An American Prayer, o espectáculo é uma homenagem onde cabe humor, saudade, sexualidade e beleza. Saí tão cheia, que quase me encontrei com a rapariga de 16 anos que escrevinhava poemas no recreio da escola, a ouvir e a ler o "Jim" e a sonhar com cobras no deserto.

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