jogo do amor

31 maio, 2015

bed time II
O jogo amoroso português, muito complexo, muito interessante, em que os homens fazem-se de brutos… e as mulheres… é muito interessante o jogo. Muita estratégica, muito saber, muita jogada… E depois com acessos torrenciais de sinceridade, de choro, cenas com uma torrencial… que só pode ser sincera! E isso… é preciso muito saber do jogar, a manipulação... e depois “o toma lá".
Porque muita da perícia vem demonstrar o que se sente, ou seja, mostrar que se tem ciúmes, mostrar abertamente os ciúmes: “ Eu se fosse… eu queria tirar os olhos àquela mulher — uma mulher que não fez nada — arrancar-lhe os olhos com dois clips, puxá-los, cegá-la para sempre e cegar-lhe os filhos também!” Ter a perícia de apresentar o que o coração sente… é uma coisa tramada e impressiona muito. Tem o efeito de dizer: “Então, se é assim é melhor… eu nunca mais olho para nenhuma mulher…” A força dos sentimentos, da possessão e do ciúme serem expressos abertamente.  
Sem a pretensão: os americanos, por exemplo, e os ingleses, é assim: “ Ah, eu não, eu não sou possessivo, não, cada um é livre…” 
“If you love them set them free” que deve ser a coisa mais estúpida que alguma vez alguém disse… aquela canção, mas corresponde a uma ideia: "Pronto, vai ter com ela, eu quero é que tu sejas feliz…" Essa mentira aqui não pega. Aqui é tudo… a exposição da possessão: “És minha” ou “Quero que sejas minha” ou “Hás-de ser minha”, ou “ Não és minha, mas obrigada por ficares comigo…”.
Miguel Esteves Cardoso  

Sem comentários:

Enviar um comentário