siza

18 agosto, 2017


Ao final do dia subi a rua, cansada, de bicicleta pela mão, e ao passar pelo atelier vi uma rapariga muito delicada descer o passeio que eu subia, em direção ao um senhor que a esperava abrigado numa garagem. Era o Siza. Quando passei por ele, olhou-me com aquele olhar que acho que só ele tem e pareceu-me ver por segundos os olhos curiosos da minha mãe, que gostava de lhe confessar ter sido aluna dele há muitos, muitos anos, e que tinha aquela curiosidade corajosa que me parece inata de quem viveu há 40 ou 50 anos atrás.

Depois apercebi-me que o Siza sobreviveu à sua aluna, e que sobreviveu também a uma perda profunda, só para se agarrar à vida (e ao trabalho) numa vida tão longa e tão cheia.

Depois fiquei sozinha, a chorar na companhia da bicicleta, a sentir-me mais pequena que nunca, com a sensação daquela saudade que nos esmaga por dentro, e que nunca deixa de ser.


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