Retalhos

siza

18 agosto, 2017


Ao final do dia subia a minha rua cansada, de bicicleta pela mão, e ao passar pelo atelier vi uma rapariga muito delicada descer o passeio que eu subia, em direcção ao um senhor que a esperava abrigado numa garagem. Era o Siza. Quando passei por ele, olhou-me com aquele olhar que acho que só ele tem e pareceu-me ver por segundos os olhos curiosos da minha mãe, que gostava de lhe confessar ter sido aluna dele há muitos, muitos anos, e que tinha aquela curiosidade corajosa que me parece inata de quem viveu há 40 ou 50 anos atrás.

Depois apercebi-me que o Siza sobreviveu à sua aluna, e que sobreviveu também a uma perda profunda, só para se agarrar à vida (e ao trabalho) numa vida tão longa e tão cheia.

Depois fiquei sozinha, a chorar na companhia da bicicleta, a sentir-me mais pequena que nunca, com a sensação daquela saudade que nos esmaga por dentro, e que nunca deixa de ser.

Flowers everywhere

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anel de rubi

ilustração: Joana Estrela @dortyparker



Era uma festa de estudantes universitários, a música era uma amálgama de músicas dançáveis, de várias épocas (anos 60, 70, 80, 90). Dançava como louca, sozinha, como sempre gostei de dançar. Era só eu e a música. Enquanto dançava aquele hit dos Doors, vi-o e tive a certeza que aquela música também era dele. Dancei para ele com essa certeza imaginada, que faria tudo mais romântico, mais certo.

memória

21 julho, 2017



Aquela música do Chico "Tanto mar" a passar na jukebox do café Estádio. E aquela sensação estranha de não ter passado nenhum tempo, entre aquela música, a revolução, e o Portugal de 2012.

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06 julho, 2017



houve festa na moradia

24 junho, 2017


turismus II

09 junho, 2017




No espaço de dois dias já ouvi duas pessoas a queixar-se da proposta de lei que fará com que o Alojamento Local seja sujeito à autorização dos condomínios.

Parece-me cada vez mais uma cegueira generalizada. Eu não quero viver em cidades-fantasma, em que as pessoas locais desaparecem para os subúrbios, ou até para outras cidades. Não quero também, como a maioria das pessoas não quererá, viver em prédios onde entram diariamente pessoas diferentes, o que certamente gerará um sentimento de insegurança. Também não quero deixar de ver as mesmas pessoas que vejo na minha rua, ou na frutaria, ou no autocarro. Até porque se isso acontecer na escala galopante em que acontece, em breve esses serviços vão-se converter apenas em serviços de valor mais alto, pensados apenas para o segmento do turismo.

A única forma de conter o turismo num elemento agregador e não destruidor do tecido social de uma cidade (que é também preservar aquilo que a maioria dos turistas procuram nas cidades portuguesas) será uma regulamentação atenta não só da construção de hotéis mas também da regulação do alojamento local, um negócio que se tornará uma selva, não tarda muito.

Há muitos mais argumentos para esta questão, mas basta pensar a próxima geração, a querer viver ou estudar nas cidades, terá que alugar apartamentos a preço muito inflacionados pela desregulação absoluta do turismo local. O que fará com que tanto os estudantes como as universidades progressivamente abandonem os centros urbanos (o que aliás, já acontece). Sem jovens no centro e sem famílias (que não podem comportar o custo de vida na cidade), restam-nos apenas os serviços, o entretenimento e os turistas. Ninguém vai querer visitar uma cidade feitas de e para turistas, e aí, rebentará finalmente a bolha do El Dourado do turismo de massas... Esperemos que já não seja muito tarde para a podermos reclamar de volta.

as cores do Porto

11 maio, 2017

colors

como nunca as imaginamos.

saudinha, saudinha é que é preciso!

10 maio, 2017

Efeito risogravura #porto #tipografia

Aquele comentário precioso de todas as velhinhas que ouvimos toda a vida, e que é realmente verdade. Porque é o essencial. Porque sem saúde (física ou mental), mudamos irremediavelmente a nossa vida e a das pessoas que nos rodeiam.

Não há epidemia que não leve consigo de arrasto o amor como o conhecíamos.

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