o voo

13 novembro, 2006



dos dias frios sou feita de mármore prateado.
uma paloma branca voa-me sobre a cabeça
brilha e é divina, solta raios de luz santos que
fulminam todos os olhos.

no fim-da-tarde,
quase como estátua de sal a desaparecer
estou como lagoa de vidro a fazer paciências com o sol.
e tal como a criança de pano a romper costuras
vivo no limbo das coisas d’embalar.
sei que nasço do nada
e roubo o tempo ao respirar

como infanta morta a ressucitar vivos,
sopro a vida no seio, receita de milagres diários
No instante, contado cem vezes ao dia
sou pássaro pobre no limite da vida
que voa sem beleza nas asas e caio de feio.
calco o único passo da gravidade e tenho
em mim a certeza do último suspiro.


a sufragista, dos dias frios com cinzentos de luz e
morte branca no horizonte

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