da esperteza

20 junho, 2012

sincelo
Um exemplo de outra coisa: "Eu nunca me vendi a ninguém, eu fui sempre uma voz incómoda..." Toda a gente é uma voz incómoda. "Nunca aceitei lições de moral de ninguém, fui sempre incómodo, recusei-me sempre, nunca fui comprado…" Ninguém nunca o quis comprar… toda a gente tem esse discurso, uma ideia de missão, de desgraça. Será verdadeira essa noção? Não sei. "Fui uma voz incómoda… para o regime." Pois, e o regime está bem a cagar… Voz incómoda, somos todos vozes incómodas para o regime! Mas isso é muito português...

 Eu, de facto, faço isso e tu fazes isso também, escreves um artigo a dizer assim: "Epá, dei uma cacetada no Sócrates, pá… escrevi uma cacetada, olha, o gajo vai ficar… uma cacetada, nem sei… ei pá, que cacetada não sei quê, estou tão arrependido…" Isto o que é? É uma coisa de importância. Uma cacetada! Não há cacetadas nenhumas… voz incómoda… Há alguma voz em Portugal que não seja incómoda? Somos dez milhões de vozes incómodas para o regime, não há niguém que diga: "É maravilhoso este regime"... 

Miguel Esteves Cardoso

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