sobre design

10 novembro, 2012

ouro sobre azul

O Mário Moura contou numa conferência que um aluno dele disse: "Quando for grande quero ser estagiário."
O estagiário do design é o burocrata, o secretário, ou até mesmo o "assistente técnico" para a Universidade de Aveiro.
O designer é um técnico-criativo, um secretário da newsletter, um fazedor de conteúdos com bom aspecto. No fundo, alguém para tapar a lacuna, cada vez mais avassaladora, entre a "fome visual" (e económica) do mercado e aquilo que os consumidores desejam; alguém que põe design naquilo que não tem design.

Tudo isto, quando, no fundo, o que os designers são hoje em dia resume-se a uma incompreensão e a um enorme desajuste entre evoluções sociais e económicas: a tecnologia ao alcance de todos e com ela a sedução visual, gráfica, e uma falsa sensação de conhecimento visual — de cultural visual — a invadir as pessoas; O desejo de uma cultura visual para as massas — depois da arte contemporânea incompreendida, o design como a linguagem visual acessível (em forma de produto) a todos; a ideia da fotografia como acto criativo disseminado (instagrams, lomos...). A rapidez da disseminação do conhecimento traz a distorção do conhecimento em produto de consumo (rápido). O design é uma "presa fácil" por ser ao mesmo tempo, da teoria estética, da vanguarda artística ou da história da Arte e da publicidade, do consumo de massas, da cultura visual popular. Desde sempre. Este lapso de tempo faz a diferença na consideração da cultura visual do nosso tempo — só uma aprendizagem do bêábá da história das artes, dos Arts & Crafts e da Industrialização permite um entendimento abrangente da amálgama de informação (e não tanto de cultura) dos nosso dias. A complexidade do mundo reside na sua perspectiva e nas lendas que há sobre ele. Eu acredito na história do design como uma perspectiva sobre o que vivemos hoje, entre outra coisas.

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